domingo, agosto 14, 2016

O que é cultura? (Na música)


   Somos parte da geração que acredita que seu gosto musical define nível de inteligência. 
   Eu achava, lá pelos meus 11 anos, que minhas músicas pop americanas eram superiores ao sertanejo raiz que meu pai gostava de escutar.
   Aos 14, era comum superiorizar o rock entre o grupo de amigos e criticar o funk sem cultura que tocava nos bailes.
   Aí está o problema: O que é cultura? Principalmente, o que representa a cultura brasileira? Você pode me responder com MPB, bossa nova e samba. 
   Estamos no início de 1900. Embora o Samba não seja essencialmente do morro, ele representou por um bom período a identidade do negro habitante do mesmo. Como exemplo, deixo pra vocês lerem sobre Cartola
   Estamos ( mais ou menos) em 1950, influenciada pelo jazz e pelo samba, surge a Bossa Nova. Enquanto que no samba de morro a temática era voltada para retratar as dificuldades e melancolia, na Bossa Nova os temas eram descompromissados e ligados ao cotidiano da classe média. Por esse motivo, é comum dizer que a Bossa Nova trouxe consigo a elitização. 
    Estamos na ditadura militar (1964), agora é a vez da música popular brasileira denunciar o que acontecia por baixo dos panos. Em um período de pura censura, as músicas cumpriam seu papel através de metáforas. O melhor exemplo a se oferecer é Chico Buarque.


   Eu concordo com você, é inegável a importância desses gêneros para a identidade brasileira, no entanto, precisamos admitir que não retrata a pluralidade de nossa identidade.

O funk e o rap como manifestação cultural no Brasil.
   Por que fazem tanto sucesso na atualidade? Ambos representam a identidade do negro favelado que, apesar de todas as dificuldades, conseguiu um espaço pra cantar aquilo que ele sabe, é acessível, é simples, não é necessário muitos recursos para produzir. 
É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado...

    "Mas o funk é machista"
    Eu, como feminista, enxergo o machismo como um problema estrutural, que está na raiz da sociedade. A música só reproduz a realidade, assim como em outros gêneros existe machismo. Você já traduziu as letras do rock que você escuta? Além disso, não podemos atribuir ao gênero como um todo a responsabilidade de algo que não é inerente a ele, o machismo não é a essência do funk, talvez tenha mais impacto porque não é camuflado, é notável quando um funk reproduz machismo. Eu gosto de funk, isso não quer dizer que eu apoio o machismo neles, por isso muitas vezes escuto funk produzido por mulheres. Mas o fato é que não vivemos num mundo com arco-íris e unicórnios, o machismo sempre está presente.

A nova geração do rap e funk.
   Como eu disse, o machismo não é inerente a nenhum ritmo musical. Prova disso é a nova geração que usa o funk e o rap como crítica à sociedade.

Eu conversei com a Marina, do blog Legalmente Crespa, e ela me deu uma contribuição:
Quando vocês pensam em Funk o que vem na cabeça? Provavelmente para a maioria seja "Putaria", pra mim eu vejo cultura. Vocês devem achar que estou louca mas não estou, o funk é cultura, uma cultura que retrata a vida do preto favelado.O funk surgiu no Rio de Janeiro e expandiu para todo o Brasil. Lembro do primeiro funk que eu ouvi e foi exatamente "som de preto", essa música tocava em uma novela a qual eu não recordo no momento. A musica estourou e era contagiante, logo após isso vários cantores de Funk começaram a surgir,  mas tiveram a reprovação da maioria por dizerem coisas "inapropriadas" para qualquer ambiente. Mas cheguei à conclusão que a música não incomoda por esse fato e sim por ser menosprezada pela elite branca. Anitta, uma funkeira renomada aqui do Brasil cantou nas aberturas das Olimpíadas 2016. E o que a galera disse sobre isso? A maioria não gostou, afinal, quem gosta de ver mulher funkeira representando o Brasil? Afinal, Brasil é terra de Bossa nova, MPB, talvez um pouco de rock, bastante sertanejo, mas funk? isso a elite não admite.
   Sugiro a leitura do texto A incrível geração que acredita ser mais inteligente por seu gosto musical. Até a próxima, sem elitismo e, claro, fora temer.

Agradecimento: Ana Luisa Magalhães e Franciele Gonzaga.


Fontes:
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/carnaval/samba-produto-morro.htm
http://www.suapesquisa.com/musicacultura/bossa_nova.htm
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiadobrasil/a-ditadura-militar-no-brasil-atraves-musica-popular-.htm
http://of.org.br/noticias-analises/funk-como-manifestacao-cultural/
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dê seu pitaco nessa postagem também!