quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Papa, maternidade compulsória e aborto.


  

   Eu preciso questionar quando dizem que o novo papa é a renovação da Igreja Católica. Mas o principal motivo de eu ter iniciado a postagem com essas duas matérias é outro, ele representa a voz de cerca de 57% dos brasileiros.
   Diante da postura defendida pela maioria, nós precisamos falar sobre maternidade compulsória.
   Antes de tudo, queria dizer que encontrei duas pesquisas: Uma em que comprovavam que filhos trazem felicidade e outra que comprovavam que casais sem filhos eram mais felizes. Existe uma possibilidade muito grande de serem tendenciosas, por isso esses dados não serão usados.
   A necessidade de procriar e repassar seus genes para as próximas gerações é uma característica evolutiva, mas nos últimos tempos de nossa existência criamos sistemas, fizemos política e ficamos mais distantes da seleção natural, podendo, assim, sobrepor nossas escolhas em relação aos nossos instintos.
   Porém, com tanta socialização, encontramo-nos presos dentro de diversas construções. Chegou a hora de contestar as concepções dos seres humanos que compartilham a mesma opinião do senhor papa.

1. Egoísmo
   O Brasil está em 9ª posição dos países em desenvolvimento no ranking de maior número de órfãos do mundo. Consta no relatório da ONU que temos 3,7 milhões de crianças brasileiras órfãs de pai ou de mãe, mas o papa e os companheiros conservadores acham que egoísmo é escolher não ter filhos. 
   Ele diz que a sociedade é mesquinha por não desejar estar cercada de crianças. Espera. Quais crianças? Pra mim o egoísmo está em querer colocar mais crianças no mundo só pra ter a sua carinha e sua carga genética enquanto existem outras sem um pai ou mãe. 
   Seu discurso soa realmente muito bonito, mas a lógica cristã não é fazer o bem? Então que façam primeiro aos que já estão aqui.

2. Maternidade compulsória
   Quando somos crianças, ganhamos panelas e BONECAS BEBÊ pra simular.
   Quando adultas, ouve-se perguntas sobre o tal relógio biológico.
   Ouve-se dizer que devemos ouvir o nosso "instinto materno".
   Ouve-se que você nunca será completa até que tenha experimentado a maternidade.
   É por isso que, sendo mulher, não ter o desejo de ser mãe soa como uma barbárie, como uma enorme insensibilidade. Como assim você não quer seguir o mais brilhante dom da mulher? A maternidade não é inerente ao sexo feminino, mas as pessoas estão fielmente convencidas disso.
   Não exercer os papéis que foram destinados a mulheres na sociedade parece até rebeldia sem causa.
  
3. Aborto
    "Papa permite PERDÃO às MULHERES que cometeram aborto" e essa afirmação ainda é levada como aberta e inclusiva. A maternidade compulsória está tão enraizada que as pessoas acham que permitir o perdão do aborto é um FAVOR à mulher. Escolher não ter filhos não deveria ser crime, obrigar as mulheres a arcarem com as consequências é que deveria, já que aos homens nada é cobrado. Outra coisa é que fazer a mulher tratar essa questão como um peso, um pecado que cometeu e não ter apoio psicológico, é um ato de extrema desumanidade. Cheguei até a me lembrar de quando mulheres acusadas de feitiçaria eram queimadas, será por quê?

Drauzio Varella fala muito bem do assunto nesse vídeo.

 (Sugiro a leitura da matéria A Mulher Que Aborta)
   Eu espero que algum dia poderemos falar de tudo isso sem sermos consideradas loucas, que algum dia dedos não sejam apontados na nossa cara por defender uma posição totalmente lógica, eu espero que algum dia os pensamentos não sejam dominados por crenças que tragam sofrimento a terceiros. Mas isso, pelo menos para os próximos séculos, eu sei que é utopia.



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