quarta-feira, janeiro 27, 2016

Essa gente, que incomoda muita gente.


Incomoda-me.
Essa gente que só enxerga pelas lentes das próprias crenças.
Essa gente que faz da catástrofe o habitual.
E do diferente uma catástrofe.
Essa gente que define o outro em uma só palavra.
E esquece a profundidade que é ser alguém nesse mundo.
Essa gente não consegue distinguir as bagagens carregadas.
O que, afinal, eles enxergam?
Só a superfície, a dissimulação, a fachada.
Sobrevivem das aparências de sua existência desprezível.
Essa gente que assiste à TV em dia de domingo e lê revista de fofoca.
Incomoda-me.
Essa gente que cega a si mesmo diante dos inúmeros problemas.
Essa gente que acha que o mundo é roda de ciranda e festa de carnaval.
Eles pensam: “Como pode você achar as pessoas tão ruins?”.
Essa gente que junta dinheiro no cofre para comprar roupa de marca.
E se sentem bem, padronizados em um grupo cheio de cópias de si.
Essa gente que aplaude piada de bicha e nordestino.
Essa gente, tão adaptada ao seu sistema de sociedade,
Sonha em ser opressor num mundo onde foi oprimido.
Essa gente que perdeu a própria identidade e calou-se diante do mundo.
Essa gente, agora, só faz barulho estandardizado.
Esse barulho fere meus ouvidos com excessiva frequência.
Silêncio.
Essa gente, agora, não consegue mais ouvir reflexões genuínas.
Elas são muito barulhentas para os seus barulhos vazios.


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