segunda-feira, maio 11, 2015

Meu caro integrante da plateia.


Não tente se abarrotar na minha mente.
Você não sobreviveria trinta minutos aqui dentro.
Nossa solidão dança de mãos dadas.
Nossa tristeza é poética.
Mas, não se engane com estas palavras soltas sem padrão estético.
Nossos sentimentos não são dignos de minha admiração.
Se meus olhos fossem capazes de expressar tal repúdio, a área cercada pelas quatro paredes do meu quarto estaria agora inundada.
Dê-me logo um trago para que minhas palavras não soem melancólicas em demasia.
Faço de ti minha fonte de ânsia carnal para que eu não tenha que observar meu reflexo no fim do dia.
Não nos bastamos para tamanho ego.
Você, que assiste a tudo da plateia, se mantenha na perfeição de sua zona de conforto.
Dê-me aquela faca, e deixe-me silenciar meus pensamentos.
O que não nos faz morrer aos poucos, não nos permite viver em equivalente intensidade.
Viver entre lesões mútuas e paixões mascaradas com ódio.
Nós dois somos autossuficientes.
Isso não é para você, meu caro integrante da plateia.


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