quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Quase adultos

grunge | via Tumblr

   Meu aniversário está próximo. Ainda sinto um arrepio na nuca ao pensar que já tenho uma bagagem de 17 anos nas costas, mas meus olhos ainda se deslumbram ao pensar que daqui a um ano conquistarei a tão sonhada maioridade. Poder dirigir um carro, entrar na balada sem olharem torto e comprar cerveja no supermercado, essas coisas de adulto. Já sou quase adulta, mas ainda sinto o chão instável abaixo dos meus pés. Quase adulta, mas ainda preciso de alguém confiável pra segurar a minha mão enquanto estou passando por uma batalha psicológica na minha mente. 
   Já tenho opinião suficiente para opinar sobre uma questão de âmbito social, ou apenas para decidir a cor do meu esmalte. Não busco mais meu príncipe encantado, até aprendi a odiar monarquias, mas isso não me impede de passar uma semana ou duas pensando em alguma sensação que alguém me causou. Na sala de aula, ouvimos incontáveis vezes dos nossos professores que esse é um ano decisivo em nossas vidas, que estamos escolhendo nosso futuro, e sentimos o peso de sermos quase adultos. Enquanto mil pensamentos passam pela minha cabeça, necessito de algum esforço pra resolver uma questão de física. Ainda tomo nescau antes de dormir, mas também fui aprendendo a gostar da sensação que a cafeína traz para o meu corpo, isso é ser quase adulto, né? 
   Ter 17 anos significa ter autonomia para decidir ficar até de madrugada na internet, se quer colocar um cigarro na boca ou se quer ir pra uma festa. Mesmo que diante das leis e dos seus pais você não possa, você já aprendeu muito bem como se esquivar disso. Não tenho mais medo do escuro, nem da opinião das pessoas, mas ainda sinto meus batimentos cardíacos mais fortes quando alguém se aproxima muito de mim. Já leio notícias, mas me irrito com sensacionalismo. Ainda não sei cozinhar e vivo adiando pra aprender a sobreviver. Tenho preguiça de festas de quinze anos, de papo irrelevante, e de gente insegura. Já aprendi a me amar, e acho que me tornei independente a ponto de tomar minhas próprias decisões sem consultar o que minha amiga acha disso. Isso é ser quase adulta, não?
   Ainda tenho espinhas pelo meu rosto, mas já tenho a responsabilidade de escolher o que eu quero ser quando crescer. E, pior ainda, que isso está cada vez mais próximo e perceber que você não cresceu tanto assim. Ter milhares de redes sociais e demorar 3 meses pra se adaptar à nova atualização. Tomar um porre no fim de semana e achar que vai ser jovem pra sempre, mas na segunda-feira se deparar com suas responsabilidades e com uma lista de coisas a serem realizadas. 
   Odiar tudo e todos, e preferir colocar os fones de ouvido quando alguém vem dar início a uma conversa. Achar salto alto uma coisa maravilhosa, mas ainda preferir seu all star fodido. Carregar toda a impulsividade de uma adolescente, mas já estar a uns passos a frente da maioria pra entender que isso é passageiro. Querer fugir numa kombi hippie pra uma praia com seus amigos, mas perceber que você ainda não pode dirigir uma kombi hippie por aí. Passar o fim de semana assistindo um filme na companhia de pipoca e brigadeiro e notar que você já não tem mais aquela animação. Entrar num ônibus ouvindo uma música e se imaginar em um videoclipe. 
   O cansaço e o sono começam a aparecer com mais frequência, mas ainda sinto a vontade incontrolável de ser livre e ultrapassar os limites do correto. Não ter mais paciência quando alguém pede conselho amoroso. Saber que tem que acordar cedo e continuar no twitter. Ter que estudar por si só, não porque alguém está te obrigando. Não ser mais uma ciumenta psicótica de 12 anos e saber que as coisas acontecem porque precisam acontecer. Saber que nem tudo está em suas mãos, mas que ninguém vai pegar uma recompensa por ti.
   Ter dezessete não significa nada, ou significa tudo, você escolhe. Que nós, quase adultos, saibamos ter a leveza e a sinceridade de nove anos atrás para carregar a responsabilidade de sermos quem somos, de podermos decidir, e para aguentar o peso de nos tornarmos independentes. O que eu quero ser quando finalmente crescer? A resposta não poderia ser mais clichê... quero ser absurdamente livre e feliz.

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